bon anniversaire, dame
17 de maio de 2009
reportagem maravilhosa, meus olhos encheram d’água.
reportagem maravilhosa, meus olhos encheram d’água.
si vous me permettez não vou falar de nada específico aujourd’hui… quero falar de coisas bobas e sentimentalidades.
de vez em quando acordo com saudades de paris, e fica aquela sensaçãozinha meio doída no peito, uma vontade de estar em outro lugar, sentir outros aromas, ver outras cores, outras gentes, ouvir outra língua…
agora eles estão vivendo mais uma primavera, quando a cidade toda floresce, os jardins são liberados e as pessoas aproveitam qualquer réstia de sol pra piqueniquer. um detalhe que acho absolument charmant é que a prefeitura de paris promove um concurso pra escolher a floreira mais bonita, e a coisa mais legal desse mundo é passear pela cidade reparando nas janelas floridas.
semana que vem haverá a festa du premier mai e no desfile da champs elysées serão distribuídos os galhos de muguet, uma florzinha muito fofa que tem fama de porter bonheur.

dia desses eu andava pelo meu bairro e senti um cheiro bom de figo que vinha das figueiras plantadas pela portuguesa vizinha, tentei lembrar do cheiro de pigalle e do 16ème, dois bairros onde me hospedei em paris. tentei me lembrar também do cheiro da minha querida besançon. rien, nada. não consigo lembrar ou identificar este ou aquele elemento. dei um suspirinho triste e voltei pra casa, percebendo que minha saudade não é só de um lugar, mas do contato maior que eu tinha com meus alunos…
antes de paris já sentia essa nostalgie de france, lembro-me de um dia numa livraria onde hoje é a fnac de pinheiros (coincidência francesa), quando eu ainda era estudante da fac de lettres, descobri um livro lindo e tive essa sensação de saudade, de falta de um lugar que eu ainda não conhecia. o livro era linéia no jardim de monet e por causa dele sinto absoluta necessidade de passar uma tarde de primavera em giverny.
percebo essa nostalgie em meus alunos , a cada trabalho apresentado, filme visto, canção escutada também ouço suspirinhos doloridos e esperançosos.
dimanche 29 mars, tivemos uma séance de ciné no charmosérrimo reserva cultural. 10 horas da manhã os ingressos da segunda sala, aberta às pressas para cobrir a demanda, já estavam esgotados. como eu havia comprado os ingressos no dia anterior, consegui tomar o café da manhã oferecido pela boulangerie pain de france ( croissant, pain au chocolat, café et jus de fruits). gostei bastante da proposta de se trabalhar com temas ligados à educação, (pegando o gancho do entre les murs, que está em cartaz), apesar de não ter adooorado o premier film. já vi o ça commence aujourd’hui e gostei bastante, mas o meu campeão é o que vai passar por último: être et avoir…
só fiquei um pouco deçue com a ausência dos meus ex-alunos… queria aproveitar para matar a saudade, mas no fim só tive a companhia do meu fiel MA e da ex-élève Katherine.
fiquem atentos à programação cultural de l’année de la france, a partir de agora vamos ter muitos eventos…il faut profiter.



vocês devem estar achando o título aí de cima vachement bizarre, n’est-ce pas?
o que tem a ver meu gato e a rainha?
bon, je vous explique…
dimanche, fui à feira comprar alcachofras. chegou a primavera e me deu vontade de comer flores (vous savez que les artichauts sont des fleurs?) ,até aí nada de mais.
comme ci comme ça, já que eu tenho medo de cocotte-minute (podem rir, é isso mesmo, tenho medo de panela de pressão, acho que ela vai explodir, acabar com a minha cozinha e comigo junto) e alcachofra se faz bem mais rapidamente na cocotte.
respirei fundo e pus a cocotte no fogo, e como puderam reparar na aula de hoje eu estava inteirinha, alors, nenhuma tragédia aconteceu, et voilà, quinze minutes après les artichauts étaient sur les assiettes.
pra quem não sabe alcachofra se come bem devagarinho, pétala por pétala, morde-se só a parte mais tenra, até chegar à son coeur, a parte mais macia, que é coberto por espinhos, retiram-se os espinhos e come-se suspirando, c’est délicieux!
pachecão começou a me rondar enquanto a alcachofra cozinhava, farejava o ar, miava charmosamente, enfin, me assediava como costuma fazer sempre que cozinho alguma coisa. oui, pachecão est un chat gourmand.
mais ça, jamais j’avais vu! quando começamos comer le chat pedia desesperadamente uma petalazinha de alcachofra. sou absolutamente contra dar comida de gente pros bichinhos, mas uma florzinha sem tempero não haveria de fazer mal. et en plus eu não acreditei que ele comeria… me enganei, o gato comeu. et pire, ele comeu direitinho, só a parte tenra, dispensando depois a pétala. pediu mais, ganhou. enfin, dividi uma alcachofra com meu gato e descobri que ele não é só gourmand, ele é gourmet!
e a rainha catarina, onde entra nessa história? nada demais, só que ela também adorava les artichauts.
engraçado como a troca das estações influencia a paisagem. na europa, onde as estações são bem definidas dá pra perceber logo quando chega o outono.
é interessante como a natureza mexe com estado de espírito das pessoas, ficam todos meio melancólicos, como se o verão fosse um amigo que se despede… victor hugo a écrit un poème, (rechercher “automne” et “printemps” de toute la lyre) ;
francis cabrel une chanson, c’est vachement beau.
e aqui dá pra ver os cartõezinhos que les gamins français enviam em todas as datas, super sympa.
a chanson eu coloco num outro post pra vocês, c’est promis.